terça-feira, 9 de janeiro de 2018

Batedoras



(Não sei de quem é a imagem mas tirei deste site, se você estiver com a informação favor postar nos comentários. Grata. http://sympathink.com/best-astrophotography-camera-settings-stars-moon-milky-way/)

Escolhida para nascer sob o signo da inquietude
E também mais leve, mais sábia, mais triste...
Por não fazer diferença a sua companhia...
“-Os olhos que iluminam o caminho não aquecem as noites frias!”
“Os pés que traçam novos rumos não podem imprimir sua marca na terra!”
Tal como diziam seus avós, e os avós deles ainda antes...
“-Para frente é caminho! Sempre adiante...”
Se não tiver o que guardar, o que perder, o que levar
Poderá ir tão mais longe...
E ninguém por quem voltar, proteger ou esperar
Por que seguir?
A estrada não faz perguntas...
Enquanto atrás de si, gritam, vociferam , aguardam e desesperam...
Ela seguirá, com os dentes cerrados contra a ventania.
E quando atrás de si, celembram, cantam, dançam e brindam ao Amor e ao Prazer
Ela cerra os olhos para ver além do sol.
De tantas ausências, o espaço vazio virou seu lar.
É como uma caça...
Seus passos trazem novos contornos ao mapa
Seu descaminho pode perder toda uma raça.
Ela não pensa, enquanto continua
Nada pode saber enquanto traça,
A pauta onde se derramam as letras invisíveis
Que trarão à tona a história de sua nação...
Desistir daquilo que quiseram para ti,
Largar tudo aquilo que sonhou para si,
Andar sem lanterna, no labirinto ou na 
mata fechada,
sempre foi melhor às cegas,
Perder a bússola, para despistar quem lhe persegue,
É mais além que estará o seu descanso,
Onde não vê, mas sente, pulsar o seu coração
Talharam seu semblante apenas para um dia ser
Sequestrada
Desaparecida
Morta.
E nunca pertencer...
Terá o cuidado de não deixar rastro,
Salvo aqueles que unem as contelações,
Que dançam, livres e soltas, através do espaço!
Luz morna que traçou o seu destino,
E que agora encerram o teu epitáfio.


Ginga Vasconcelos

domingo, 17 de dezembro de 2017

Estado de sítio.


(Ruínas de Jericó, foto do site http://bomjardimnoticia.com/2017/08/12/10-cidades-mais-antigas-do-mundo/ licença Creative Commons).

Passo à passo
tentando reconquistar
o espaço
no interior da muralha...
Palmilhando em busca
de um rastro
que não seja de pólvora...

Sobressalto
com o estalo do galho ou do pé,
ou da pata do gato ou do rato,
na telha quebrada.

O zumbindo incessante,
dos fios de alta tensão,
entrecruzando-se na esquina molhada...
Fios que voam do poste na direção da calçada,
ameaçadores.

Eu passo
Sapatilha de ponta
sobre nervos de aço...
Encobrindo minha própria visão
Com o guarda- chuva negro
da razão.
 Eu me equilibro entre a
impossibilidade
de fuga e a certeza do massacre.

Incontáveis e contaminantes
Se preparam para tomar de assalto
Ao menor momento de distração...
Enquanto isso, a insônia segue contando
seus carneiros intermináveis
E a fome ronda, em busca de um plano "B".

Um movimento brusco, sem razão
No trinco da porta.
Um chiado.
Um grito.
Uma incógnita.


Sinto algo descascando com as unhas as paredes
sanguíneas de meu peito,
Um animal insatisfeito
Tentando cavar uma saída,
que o leve desta
para outra vida.

segunda-feira, 6 de novembro de 2017

Ausência











O que mata lentamente;
O que se perdeu para sempre;
O que se nega, se fecha, se prende;

Por quem nunca se desmente
e permitiu se calar. E os sinos dobram,
por quem seguiu em frente;
E não poderá retornar.

Quando as luzes apagam;
E algo em você se parte;
Quando cada irmão é um lobo;
E só a tempestade é abrigo;
Quando não há crime, nem castigo;

Onde a lembrança é um beco sem saída.
Onde cada música é um presságio ;
Onde as multidões caminham, por ruas vazias;
Onde você enterrou seu tesouro de infância;
Onde os abismos transbordam em cores mortas;
Onde nada é, porque você não esta...

Por que?
Por que?
Por que?
Por quê?
Por que?
Por quê?
Por que?



sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Poesia






A insônia
O trânsito
O atraso
Um copo meio...apertado
E seguramente vazio
Eu fecho os olhos
Quero fugir

Brotam lírios onde flui um rio.

O desabafo
A angústia
O tédio
A dor
A ruptura
Há um mar em caos no nevoeiro em chamas
Há um travo de silício no clamor dos insensatos
Então eu lembro...

Um rio que flui onde brotam os lírios...

O cansaço
A dívida
A dúvida
A solidão 
A impotência
Há um hiato entre a a chama e a urgência
E onde vive o silêncio mora o segredo
E me deito...

O rio flui macio em meu leito
Os lírios desabrocham dentro do meu peito...

 








terça-feira, 3 de outubro de 2017

Sicário




O punhal na palma arranha
a linha do destino
Calam os relicários,
Os lábios encerram
as vozes e seus beijos,
não chegarão mais ao destinatário
escorrendo pela boca em vermelho,
os antigos sentimentos de violência e desejo
empoçam ao lado do corpo caído...

Sou agora um sicário
um mercenário que perdeu o encanto
num canto encurralado
todo animal é perigo!

E mais um anjo estará ao seu lado...
Eu sigo incólume, mesmo em fuga,
A prece, eu fiz antes do ato,
E cada lume que brilhar na escuridão
Encontro
Se a vida é um sopro...
Eu apago!

Não sei quantos corpos semeei,
Ladeiam meus caminhos
esquecidos jardins de pedra,
Ocultos na primavera dos meus dias
Desabrochando ano a ano,
de qualquer maneira,
Já eram tantos...
sereno,  todoo homem que encontra a morte
parece um santo...
Sorrio
Veneno.

Disparo à esmo, contra o vento,
Reverberam os sinos e eu percebo,
Que a Anunciação não é o raiar do dia,
Que o escudo de bronze é o meu peito
As balas ricocheteiam
Nada é senão eu mesmo...
Eu grito mais alto,
Mas meus anjos
estão cegos!
Arrepia a pele do medo...um mau pressentimento!

Faço o sinal da cruz,
Prossigo a esmo,
Eu persigo o dia em que te perdi,
Já nem sei quantos nomes encerrei,
Cada círio que se vela é uma promessa,
Mas  eu preciso da escuridão
para me orientar pelas estrelas...

Quando você menos esperar eu voltarei...!





domingo, 24 de setembro de 2017

O Ditado da Mulher- Sombra

"-Atenção ao ditado da mulher sombra!
Tenham em mãos as borrachas de pano,
Só serão aceitas canetas sem ponta!"

- Primeira palavra: "Rejeição"
-Repetindo: "Co-De-Pen-Dên-Cia"
- Todos ouviram, próxima!
- Segunda palavra;
"- Autodestruição!"
- Repetindo: "-Ca-Rên-Cia".
- Terceira!..."-Vício"
- Repetindo: "In-Con-Ci-Êns-Cia".
- Quarta palavra: "-Auto-suplício"
- Repetindo: "Vi-O--Lên-Cia"
- Agora a quinta! Atenção! Já estamos na metade!
- Quinta palavra: "-Desperdício"
-Repetindo: "Ob-Ces-São!"
Todo mundo esta conseguindo fazer? Ótimo!
- Sexta palavra: "Endividamento"
- Repetindo: "- Es-cra-vi-dão"
- Sétima palavra: "- Isolamento"
- Repetindo: "De-Pres-São!"
- Oitava palavra agora... "-Angústia"
- Repetindo: "Der-ri-são"
Silêncio! Já estamos no final!
-Nona palavra..."Baixa-Estima"
-Repetindo..."Pro-Cras-Ti-Na-Ção"
- Agora a última, hein? Atenção crianças...
"-Poesia"
Repetindo: "Des- I-Lu-São"

Repetindo...
Repetindo...
Repetindo...


Fotografias de Dani Olivier disponíveis no site: http://divaholic.com.br/fashion/mulheres-nuas-vestidas-com-luz/




segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Cardiopata




Minha alma tem sede,
Pulsando sangrenta
e sua sede
não cede...

Em sua cela
De ossos
entre as costelas
Chama
Delírio
Deleite...

Se choro
Ou creio
Se adormeço
Ou luto
Estará lá
Até meu último suspiro
uma conhecida sentença...

Sou a prometida da Morte,
E meu Destino me carrega
Pela mão
Para ele
Até ela...

Uma fisgada dolorida
Um vago pulsar
Um céu incandescente
em prata
de nebulosas rubras
Visível ao cerrar dos olhos
Dançam pequenas estrelas
Distantes
Insensíveis
Eternas
Serenas...

Olham com pena
sua prisioneira
Esta alma indomável
Vencida...
Como quem sabe
que vê pela última vez
uma velha fotografia
de alguma lembrança perdida...