sábado, 11 de outubro de 2008

Incompreensível.


Eu sou dessas pessoas que você conhece
mas em quem não consegue se reconhecer
Dessas que quando chegam numa sala
Se um sorri em versos e estribilhos
E estende os braços em abas largas
Outro faz o sinal – da - cruz
E pede para se benzer...
Pois é...fazer o que?

É bem verdade que a minha face
diz em parte o que penso e outra parte
só mesmo aquilo que você quer ver.
Meu pulso traz inscrita marca de nascimento
Meus olhos tão negros ocultam meus segredos
mas revelam um brilho fátuo de temores e anseios
Sera só isso mesmo? Pois então eu confesso!
Já não me importa mesmo o que vai acontecer...

Você vê em mim a mensageira do infortúnio!
Eu guardo uma canção para o sol dentro do peito.
Não tenho lágrimas para Marte e nunca fui de Vênus!
É a Lua- e só ela! - quem me afaga e me traz
Cada vez mais outra e outra vez mais nua!

Para girar sob mim mesma, flutuar e recordar
Do pacto que um dia eu fiz, mas que hoje me faz
Metamorfose negra, borboleta noturna.
E sabe aquela história do pó que das minhas asas escapam?
E que a tradição reza trazer conseqüência funesta?
Aquilo não é pó e também não cega.
Aquilo é o pólem dos sonhos que te encantam enquanto adormeces...
E a única coisa certa é que nada é como parece!
Portadora de desgraças? Só a sua consciêcia!
Porque há mais mistério no fundo daquilo que se pensa.


E é como eu digo: que posso fazer?
E me responda então...como vai você?
Eu? Sei bem quem sou, e mesmo não optaria
Trocar essa minha febre de angústias e ternuras
Pela clareza tão certa da tua afasia
Por racionalidade tão cínica, tão frouxa apatia
Por orgias sérias, frias, quotidianas
Uma rotina amarga, em trapos de bandeira,
Mortalhas de esperança.
Sinceramente? Não sei como não te cansas!
Das tuas mesmas mentiras, esses joguinhos de criança!
E se nunca por nada, mas até por orgulho mesmo...
Não desisto: e fica aqui um conselho!
Não consegue me entender?Mantenha distância!

Um ultimo aviso antes da despedida.
Não tenho para você muito boas notícias!
Onde estou agora tu já não me alcanças!