quinta-feira, 16 de abril de 2009

Ocaso


Ouvir essa música de que gosto tanto
Até doer.
Atravessar entrelinhas por rimas tortas
Porque me dá prazer
Só escapei mesmo por um triz
Das linhas gravadas na minha palma
(é preciso sonho,dignidade e alma)
Amanhã prestarei contas ao sol dormente...

Esqueço um pouco do que tinha em mente
Desenho um outro plano - de viver pra sempre
E enlouquecer...

Servir no céu.



Enterra mais fundo essa adaga de prata
Seu cabo entalhado, quem não admira?
Manto de veludo e bronze. São mil catedrais
De arte sacra, renda em pedrarias. Não importa
Que de tão pesadas fritem minha pele,
calejem meus ombros e verguem minhas costas.
Pois que curas teus remorsos apenas tocando
Em minhas chagas expostas.

Minha coroa de espinhos – é ouro puro!
Meu cetro de farpas – sangrentos diamantes!
Sandálias de cobre esmaltadas em lázuli
É negro e amargo o líquido fumegante
- a saliva em minha boca a te redimir-
Mas ora! Quem não gostaria de se refletir
Nesse chão de mármore, que eu mesmo.
Lavo e limpo, lambo e me espelho?

Me traz piedade ser assim tão invejado
Mas tudo é amor e só o amor é sagrado
Por isso mais de sete mil setecentos e tantos
Amaldiçôo esse púlpito, esse relicário santo
Que palpita sorrindo quando amanheço aos prantos!

Reinar no Inferno!



Eu calo quando eles repetem
E falo quando eles baixam as orelhas.
Canto, danço, pinto e bordo
Sozinha num canto sob a lua cheia

Sou o escudo pulsante das mil covardias
Com um sorriso no rosto, uma falsa alegria
Levo adiante um lume que me fez prosseguir
E no peito o medo – me perder ou fugir!

Eu tento – quando melhores desistiram
E já vou por onde me seguem
Eu volto pelo mesmo caminho
Num mutismo insano insistem
Por que – mil diabos! - será que me perseguem?

Se eu louvo o que já inexiste
E se gargalho, só o eco responde
E se encontro a Justiça - por que estás tão triste?
E revejo a Humanidade – mas foi tudo um sonho?

E se escarneço e grito - mas agora resistem!
Ironizo,debocho,maldigo – então por fim reagem!
Cuspo nas faces, superlativo o escândalo,
Respondem raivosos e criam o alarde!

Bendito seja este dia de fúria
Que arde minha grita por LIBERDADE!