terça-feira, 7 de julho de 2009

Lua Crescente


Em tua cadeira de balanço me ninar
Numa canção de amar, atar ou desfazer
Eu quero ouvir mais uma estória trágica
de terror e intriga, de suspense ou mágica
que diga como semear,brotar e por fim, reflorescer

Como você.

Uma neblina fina que te faça mais nua
por um véu que transpareça o meu desejo, lua!
Troco contigo, porque eu já sei tecer.
Já imito teus pés na ciranda em compasso
quando louca e linda danças pelos espaços
mas me abandonar,deixar fluir...eu não posso!

Não como você.


Perdi teus brincos sagrados de brilhantes
Enquanto mentia -em vão- com tuas pinturas.
E teus vestidos sempre sobraram em minha cintura...
Pedi de presente para agradar meu amante:
uma nutriz,um segredo e um manual de tortura.
Deste! Mas com a condição de condenada
a conviver com essa marca estranha e obscura
Que me fez tão temida quanto amada e pura. Agora
que não sei bem certo ainda o que fazer.Como dizer?

Quero ser um dia "que nem" você... quando crescer!

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Parte 2- A Trilha Sonora que a vida não tem (infelizmente).



Simplesmente impossível dissociar minha adolescência de minha vivência no Movimento Estudantil - de um modo geral - á UJS (União da Juventude Socialista) e ao PC do B (Partido Comunista do Brasil), em particular.Conheço mais de um dos que se afastaram da militância política que se envergonham dessa fase e desse momento. Provavelmente confundem uma coisa - a adolescência - com outra -a vivência política. Não faço parte desse time. Não me envergonho nem me arrependo de nada, nem do que fiz, nem do que deixei de fazer. Não lamento nada.
Poderia entrar em mil reminiscências de como eu entrei para o ME, como é ser adolescente e ser comunista pós -queda do Muro de Berlim, o porquê do meu afastamento do partido aos vinte e seis anos "e tals". Mas eu não quero entrar em detalhes de experiência. Eu quero tocar a música desse tempo, que talvez seja parcela da trilha sonora da minha adolescência muito em particular e talvez, de uma época e suas confusões e transições, no geral.

Para satisfazer apenas uma das curiosidades e ao mesmo tempo, datar um ponto de partida, eu entrei para o Movimento Estudantil durante o Fora Collor em 1992. Fui para a passeata com uma amiga com quatorze anos e meio. Ela queria os beijos da liderança estudantil mais querida do momento. Eu nem prestava muita atenção aos meninos na época.Mas acho que as duas músicas mais tocadas foram "Caminhando contra o vento" do Caetano Veloso e o Hino Nacional. Eu queria respostas para questões que ainda não sabia formular muito bem e não tinha com quem conversar.Alguns adolescentes tem dificuldades em ter com quem conversar sobre seus sentimentos ou talvez,sobre o despertar de sua sexualidade.Eu queria falar sobre como construir uma nova sociedade ou um país melhor.Tímida e reclusiva, não encontrava as pessoas certas.

Corta a cena.Som na caixa.
Entra a Internacional.
De pé ó vítimas da fome

De pé famélicos da terra

Da idéia a chama já consome

A crosta bruta que a soterra

Cortai o mal bem pelo fundo

De pé, de pé, não mais senhores

Se nada somos em tal mundo

Sejamos tudo ó produtores.



Refrão:

Bem unidos façamos

Nesta luta final

Uma terra sem amos

A Internacional

Gostaria de avisar que a maioria da juventude tropeça em mais de um trecho desta letra,e eu não era excessão.Mas...
Um ano depois e já era um cisne em comparação. Ou pelo menos, já se conseguia antever um "patinho mais bonitinho".Uma agenda com mais de cento e cinqüenta nomes, uma "turma" de pelo menos "cinqüenta" pessoas e eu já me empossava Presidente do Grêmio Estudantil, Diretora da União Florianopolitana de Estudantes e Diretora da União da Juventude Socialista.Fiz parte da Frente Parlamentarista Estadual Jovem (risinhos)em 1994 e minha mãe guarda o jornal até hoje.A adolescente tímida, por força de estudo e disciplina, dirigia reuniões de representantes de turma com cento e cinqüenta pessoas, passeatas de quatro a cinco mil pessoas, e proferia discursos em congressos estudantis de pelo menos cento e cinqüenta pessoas. Possuía uma agenda de viagens com pelo menos uma para fora do estado por ano e uma grande "vantagem competitiva" em comparação á maioria das minhas amigas: uma mãe compreensiva, que me deu a chave de casa para sair e voltar a hora que bem entendesse (contanto que sempre avisasse onde e com quem estava) e aceitou todas as minhas opções, mesmo não concordando muito com elas. "Liberdade é responsabilidade" era seu lema. Hoje a agradeço por isso.Tinha tudo para me tornar mais uma frustrada.Hoje percebo que tive uma adolescência feliz e saudável, na medida do possível nesta sociedade, é claro.

E a música? Bem, como toda a adolescente, eu já me distanciava das referências familiares para adotar as referências de grupo. Só que meu "grupo" era algo assim, muito heterogêneo, fluído e instável. Da "galera" provinda do interior do estado ou "girada" do interior do Paraná, por exemplo, eu podia aprender coisas tão distantes da minha vida como "Menino da Porteira" do Sérgio Reis quanto "The Unforgiven" do Mettallica.O "povo do oestedo estado" se identificava mais com o "heavvy mettal", por estranho que pareça.Com eles conheci Iron Maiden, Black Sabbath e Brujeria (???!!!) Já a Ilha, talvez por suas paisagens ou por qualquer outro motivo, se afinava mais com o reggae,e algumas variações que dá para incluir como "rock alternativo".O "D'Azaranha" daqui mesmo e o "Skank" carioca estavam no "top list" na época.Não generalizemos, é claro. Tinha um cenário rockeiro sim, em Floripa, e tenho uma amiga que vivenciou este período como liderança estudantil e vocalista de uma banda de punk na ETFSC - Escola Técnica Federal de Santa Catarina.Mas não era a regra da maioria das escolas, e eu visitava a todas.Foi nessa época que conheci bandas pioneiras do Rap Florianopolitano, como o D.N.A e o Código Negro. Encantada com o estilo, pedi para o Mano Precário levar uma pessoa ao I.E.E e fazer uma apresentação de "bitbox".E assim se abria mais uma valiosa referência.Axé e Luta á todos os manos guerreiros de ontem e hoje.
Continuando...como liderança estudantil, eu tinha que dialogar com diversos grupos juvenis, mais de um sentimento complexo e contraditório - porque neste ponto todos os adolescentes são iguais -e também com mais de uma "geração do Movimento" porque haviam lideranças de 15 á 30 anos e, portanto,diversas sensibilidades auditivas.O ecletismo musical não era só uma qualidade política. Era uma necessidade.Acho que foi nesse momento que despertei para uma habilidade especial. Eu percebi, decorando imensas e diversas letras de música que tinha boa memória auditiva.E assim, ia me afinando para cantar e dançar junto com todas a multiplicidade de idéias, ideais e ritmos que se apresentavam.Despersonalizada musicalmente, eu me parecia cada vez mais com a caixa de ressonância de uma miríade de sensações muitas vezes conflitivas.

No quesito "geracional", naturalmente acontecia de trazermos ainda as referências de infância. Assim, no Movimento eu conheci a Maria Cristina.E tina dezesseis anos e ela 28, e a cito nesse quadro porque me ensinou a gostar de HQ's como "Sandman" e Constantine" e a ouvir, Led Zeppelin, The Doors, Janis Joplin e até Caryl Simon (????!!!).De Pink Floyd eu já gostava, por influência materna.Quase furei "The Dark Side of the moon" e "Animals", para mim os melhores álbuns para ficar deprimida,ler DC Comics e escrever meus diários.Assim como "The Wall" é o melhor para se fazer autocrítica e tentar calçar as "chinelinhas da humildade". Minha mãe ria das minhas "novidades": "-Mas Ginguinha, isso aí eu ouvia no meu tempo."Todas as mães do mundo já deram e vão continuar dando gargalhadas assim, e os filhos de todos os tempos vão continuar se sentindo muito irritados com isso.

Todos esses segmentos se encontravam no saudoso Bar do Frank, onde íamos para tomar cerveja, discutir a pauta das reuniões futuras,partilhar fofocas, dançar, nos emendar ou "desemendar" com "namorados, rolos e afins" e fundamentalmente descansar, pois para muitos de nós Movimento Estudantil era trabalho sério, que ocupava doze á quatorze horas por dia e deixava pouco espaço para a vida pessoal.Talvez por isso, se você pensou em "Caminhando e Cantando" de Geraldo Vandré, saiba que na verdade a maior parte das músicas mais pedidas falava de um sentimento bem brasileiro...saudades!"Ai que saudades d'ocê" do Vital Farias era uma das mais pedidas e cantada com todo o entusiasmo. "Taxi Lunar" do Zé Ramalho e "Andanças" da Beth Carvalho, também. Uma noite não rodopiada em "Bandolins" do Osvaldo Montenegro, era uma noite sem paixão. Mas a "top list", que não podia faltar, era sem sombra de dúvidas, "Vento Negro":

"A vida o tempo

A trilha o sol

Um vento forte se erguerá

Arrastando o que houver no chão

Vento negro, campo afora

Vai correr

Quem vai embora tem que saber

É viração."



Por outro lado, desde os CPC's (Centros Populares de Cultura, da UNE - o ME sempre foi grande produtor.Talvez porque a diversidade humana e temática tivesse como escape lógico á criatividade artística para os mais sensíveis.Inclua-se um dia entre mil pessoas seja com punhos em riste ou mãos levantadas a entoar o que seja, e você vai descobrir o significado exato da palavra "arrebatamento",especialmente se algum sentimento como senso de justiça,indignação ou orgulho cívico - coisas hoje tão distantes - se fizerem presentes.E com tais agentes propulsores, a criatividade juvenil funcionava a mil por hora. Falei dos mais sensíveis. Porém para os mais "brutos", digamos assim,restava ainda o hábito de produzir músicas satíricas, burlescas e irônicas que podiam servir para vangloriar uma corrente política em específico ou ironizar e/ou intimidar os adversários.Arrivista? Belicista? "Exercício de violência simbólica gratuita?" É...pode ser. Ainda bem que nasci numa época em que não se poderia ser processado por isso (risinhos debochados).Uma palavra de ordem que ironizava a própria obsessão:

Ado,ado,ado...o nosso forte é rima!(geralmente entoada quando algum mais "afoito" tentava "revidar o desaforo" com uma rima forçada)

E como eram tais desaforos? Alguns eram "versões" de músicas bem conhecidas, como por exemplo:

"se essa rua, se essa rua fosse minha......

eu mandava, eu mandava ladrilhar.......

com ossinhos, com ossinhos trotskistas

só pra ver a revolução passar...."


Ou outra, cantada na melodia de "Sociedade Alternativa" do Raul Seixas, e que também era obrigatória do Bar do Frank em suas duas versões, a original e esta:

"Se eu quero, e você quer

Mudar a situação

Ou discutir educação,

Ou fazer revolução então vem

Vem pra UJS, vem pra luta também, também...

Viva, viva

Viva a juventude socialista, comunista!"

Mas não era só para a produção de "palavras de ordem" e "versões em série" que procuravamos nos manter minimamente atualizados.
Alguns títulos de músicas eram apropriados para virar título de Teses Congressuais e outros trechos, para virarem "subtítulos" que dividiam os capítulos. Sempre escalada para "dar um toquezinho aqui,outro ali" ou ainda, escrever capítulos inteiros,até hoje para mim é um hábito dar título e subtítulo (de artigo, de trabalho de aula, de projeto de trabalho) com referência em músicas que afinal traduzem os sentimentos de uma época.Tenho um amigo que fez isso no seu TCC, outro na Dissertação, todos do mesmo tempo de movimento e compartilhando os mesmos vícios de escrita. São exemplos: "Saudações á quem tem coragem" (Nome de Tese do Congresso da UBES DE 1993 e que vem da música do Barão Vermelho),"Declare Guerra a quem finge te amar" (também do Barão Vermelho) "O Tempo Não Pára" (óbvia,de Cazuza), "Refazendo" (essa menos óbvia,vem de "Refazenda" do Gilberto Gil).E um dos subtítulos mais batidos era "eu me organizando posso desorganizar" direto do "Mangue Beach", para falar do tema "Organização":

Isso praticamente nos obrigava a estar "antenado", "atualizado", "de ouvido atento" á tudo de novo que aparecia.Mas de vez em quando, para trazer á tona o novo, precisávamos resgatar da discografia de nossos pais ou ainda,da época em que éramos crianças e ainda não nos "ligávamos" em algumas bandas.Caso das bandas anos 80 como Capital Inicial, U2, Plebe Rude e até Legião Urbana e Cazuza, que gravaram muito nesta época.Na maioria das vezes nos saíamos bem dessa aparente contradição.Mas outras não.Era quando ninguém conhecia a bendita música ou era muito difícil fazer com ela algum refrão que pudesse virar palavra de ordem. Nesse caso, era preciso muita raça para "fazer valer"."Caminhando contra o Vento" nome de tese do Congresso da UFES de 2001 foi o caso.
E não posso esquecer de falar das passeatas, ícone simbólico de qualquer movimento que se preze e grande viveiro criador de palavras de ordem e "versões musicais.Mas vou contar uma outra passagem interessante. A morte do vocalista do Nirvana, Kurt Cobain. Estavamos nós em frente á Assembléia Legislativa por volta de dez da manhã com três mil estudantes aproximadamente.Dessa vez era uma passeata de apoio á Greve dos Professores Alguém corre e me avisa: "-Não há resposta, e só conseguiremos entrar em uma hora mais ou menos." Respondo assim, educadamente: "Mas p...!!!Assim o povo vai dispersar todo, como pressionar? Vamos invadir então!" -"Não, ainda não!A negociação esta avançando, há gestos de boa vontade...,inventa aí." Preocupada com o que ia dizer na Komby de som, ouço alguém gritando: "Kurt morreeeeeuuuuu!!!"Um lâmpada se acende no balãozinho ao lado da cabeça e me tira do aperto."-Galera, um minuto de atenção, por favor. Acabamos de ser informados da morte do vocalista Kurt Cobain. Do Nirvana. Vamos fazer uma hora ininterrupta de Nirvana em homenagem.Por favor, quem tiver fitas cassetes e que puder emprestar,com músicas dessa banda que marcou nossa história, favor falar comigo mesma que ficarei responsável pela devolução..." E imediatamente, saquei da minha mochila a minha própria fitinha.Não pude deixar de rir quando ouvi o trecho:

Hello, hello, hello, how low

Hello, hello, hello...



With the lights out it's less dangerous

Here we are now entertain us

Not just stupid and contagious

Here we are now entertain us



Tradução livre,ou mais ou menos assim

Olá, olá olá como vai

Olá,olá,olá



Com as luzes apagadas é menos perigoso

Aqui estamos nós, entretenha-nos

Não é apenas estúpido e contagioso

Aqui estamos nós, entretenha-nos

Mas nem só de Tese Congressual e passeata vive a adolescente comunista.O despertar da sexualidade,a força da paixão,as decepções e amizades também tem seu espaço.Com descoberta da paixão,a dor-de cotovelo e a perda, temas internacionais de 80 entre 100 músicas registradas ontem e hoje.Me lembro que nessa época, por força do hábito ,acabei escrevendo uma dolorida carta de término de namoro com nada menos que dez trechos de músicas diferentes citadas.Eu era uma jovem comunista que dominava minimamente a lígua "yankee e imperialista" e me utilizava dela á larga para os meus "rasgos individualistas" e "inconfessos" para a coletividade.Nessa carta eu fazia uma "avaliação" do "relacionamento" e nem vou lembrar de tudo. Mas lembro que terminava com "Black, do Pearl Jam":

"All the pictures have all been washed in black, tattooed everything...

All the love gone bad turned my world to black

Tattooed all I see, all that I am, all I will be...yeah...

Uh huh...uh huh...ooh...

I know someday you'll have a beautiful life, I know you'll be a star

In somebody else's sky, but why, why, why

Can't it be, can't it be mine" (nessa última frase, um vocalista fanho berra em tom desesperador, o que torna tudo mais desesperador ainda)!


Tradução:

Todas as imagens estão sendo lavadas em preto

Tatuando tudo...

Todo amor virou mal,levando o meu mundo pro escuro

Tatuando tudo o que vejo,o que sou,o que serei...yeah

Eu sei que um dia você terá uma vida maravilhosa,eu sei que você será como uma estrela

No céu de um outro alguém,mas por que?,por quê?,por que não poderia?

Por que não poderia ser no meu?



Drástico, não? Fica o aviso aos "adultos" que pensam que no mundo infantil e adolescente tudo é bobagem, fantasia e despreocupação.Vocês esqueceram. Mas adolescente sofre, e muito.Os hormônios não trazem apenas mais vigor sexual. Trazem mais intensidade para os sentimentos também.

Na vida da adolescente comunista também existiu o ingresso no mundo do trabalho. E eu comecei a trabalhar com dezesseis anos, como estagiária da Epagri. Depois fui officce-girl, vendedora, telemarketing e por fim, recepcionista. Aqui, me lembro que o saudoso Adriano, presidente da UCE (União Catarinense de Estudantes),que me emprestou toda a coleção de "The Smiths" e com quem conversava por longas horas sobre coisas tão diversas quanto DC Comics, Guerra no Iraque,Novas Bandas e a eterna discussão da necessidade de ingressar na Universidade.Por estas "broncas" agradeço tanto ao Adriano de Souza, quanto ao Marco Fernandes e ao André Ruas de Aguiar.Já podia dizer-me "adultescente", com vinte e um anos e já tínhamos acesso á internet, o que revolucionou nossas "garimpagens ao disco" e "truques de manutenção de fitas cacete" (assim mesmo, com "c"). E a música que eu cantava na Recepção era:

"I was happy in the haze of a drunken hour

But heaven knows I'm miserable now

I was looking for a job, and then I found a job

And heaven knows I'm miserable now"

In my life


Why do I smile (nesse momento eu aproveitava para abrir um sorriso bastante cínico no meu rosto, com a certeza de que ninguém mais entendia o que eu estava cantando)To people who

I'd much rather kick in the eye?



Tradução do site Terra, porque estou com preguiça:



Eu estava feliz na bruma de uma hora embriagada

Mas o céu sabe que eu sou um miserável agora

Estava procurando um emprego

E então eu encontrei um emprego

E o céu sabe que eu eu sou um miserável agora

Na minha vida

Por que eu sorrio

para pessoas que dificilmente fito nos olhos?

Melancolia infinita anos 80 que terminava logo ali, por 13:00 horas da tarde (entrava ás 07:30), que era quando eu voltava para a turma do movimento até umas 18:30.Depois disso, os estudos.

"E só? Dor de amor? Trabalho? Congresso e passeata (ou seja, mais trabalho)? Que é isso minha filha? Cadê o lado "feliz e saudável" que você prometeu no início?E as drogas? E o sexo? E o Rock 'n roll?" Bem, no amor, no trabalho, nos estudos e também nos Congressos, e claro que haviam muitos momentos felizes e tristes.Drogas, sexo e rock 'roll? Bem, para não me estender, vou dizer que isso eram "opções individuais pelas quais não se poderia responsabilizar o coletivo". Ou seja, ninguém nunca obrigou ninguém á nada, e a pressão de grupo funcionava mal nestes assuntos (tanto parara "o bem" quanto para "o mal" digamos assim). Mas para além de tudo isso, ainda haviam os acampamentos, onde poderíamos escapar mais um pouco dos "clichês anticomunistas" e demais "pressões sociais" como esta de que adolescente só sabe mesmo é transar sem camisinha e usar drogas. Acampamento da UJS era o momento mais aguardado do ano em toda a militância juvenil.Dois dias apenas para tirar a limpo tudo o que foi citado acima (estou falando de congresso, trabalho, estudos, tá?).E o mais importante. Rever amigos de todo o estado. Geralmente acontecia na praia de Naufragados.Tanto nos acampamentos quanto nos ônibus que nos levavam aos Congressos, músicas conhecidas por todos e de preferência bem longas (num caso para encurtar a viagem, no outro para prolongar a proximidade e o tempo de aproximação)eram a pedida certa. Legião Urbana era o certo. Coincidência ou não, ele acabou gravando um CD chamado "Musicas para Acampamento".E é com esse trecho que encerro esta crônica tão extensa, que traz a tona os momentos mais felizes de minha vida, talvez das nossas, onde fizemos amigos verdadeiros, conhecemos pessoas inesquecíveis, viajamos, argumentamos,ganhamos e perdemos,nos apaixonamos, nos desentendemos, nos "refizemos" e um dia, por fim, "adultescemos".

"Disciplina é liberdade

Compaixão é fortaleza

Ter bondade é ter coragem

(e ela disse) - Lá em casa tem um poço

Mas a água é muito limpa"

(*Ah-ha!Pensou que eu ia citar "Faroeste Caboclo, hein? Foi só para tornar menos óbvio. Essa é claro que você lembra.)