domingo, 11 de julho de 2010

Desperto!


"O que vemos, o que somos
parecem-nos sonhos
dentro de sonhos"
Anônimo


A luminosidaade indecisa do ocaso da madrugada confundem as sombras e minha visão.É meu quarto, eu sei mas não consigo reconhecer os passos na escada nem a silhueta que surge à porta.Ele? Ela? Eles? Um e três cabeças? O que será que vêm e me ataca, dedos compridos e negra cabeleira?Reagirei, com toda a força que sei ser insuficiente. Ele ou eles? Indefinível e imenso. Morderei com toda a força até sentir o sangue...a marca da minha mandíbula...esta muito maior! Enterrei com facilidade até sentir os caninos se chocarem e arranquei quase 300 gramas de carne quente do ombro? Sinto prazer ao repuxar dos nervos. E essas cicatrizes...era apenas para empurrar seu rosto para longe. Mas parece que quem ataca agora tem presas fortes, imensas garras.Nesta face antes tão múltipla e agora clara, me parecem exagerados os estigmas da luta. Meu ponto de vista se desloca.E percebo que sou eu o lobo imenso que devora...
Desperto com alívio, no meu quarto iluminado pelo sol. Mas não reconheço as cortinas brancas e esvoaçantes, nem a paisagem que se descortina na janela. Faltam algumas coisas.Tão vazio, claro demais...este é um quarto de hospital? Ao longe, vejo um bebê que se afoga na margem.E esta tão raso! Não há ninguém para ajudá-lo só eu posso.E estou correndo, ofegando, meus músculos se ressentem com o esforço...inútil! Minhas pernas se enterram na areia até os joelhos, eu tento mas não consigo sair do lugar. Quando tento me erguer, parece que faltam as forças, é como cair sem tropeçar e se enterrar mais e mais... O bebê parece engasgar nas ondas,não chora mais, aquiesce, fica roxo e eu quase choro de raiva, impotência e pena.As lágrimas escorrem quentes pelo meu rosto. Penso: sou mesmo uma fraca. Mas que droga! Quero gritar mas parece que sou eu quem não consegue mais respirar.
Então desperto...