quarta-feira, 30 de março de 2011

Outono, um estado de espirito.



Outono esta
Soube-se pela brisa fria
que trouxe a boa nova do oriente
soltos seus cabelos castanhos
perfumam o ar iridiscente
outras notas iluminam a canção.

Seria a essência de cadernos
novos e velhas notícias
que faz estremecer as janelas
com o vento sul?
Ou são as escolas túmidas com seus
gritos de alegria
enquanto os hospitais se enfeitam
para abrigo da dor?
Há um vago senso de melancolia
Na lição que se esqueceu da cor.

Outros tons sacros e inclementes...
O outono estica suas unhas e rasga
em vermelho nosso pôr-do-sol
Anoiteço imersa em memórias sépia
tecendo calêndulas e agapantos-
novos sonhos,novos prantos-
Enquanto a lua brilha clara sob a chuva fina
E as pessoas são como suas roupas
Algumas nos parecem muito quentes
Outras muito frias.


As folhas de plátano secas
Ontem pratearam a pele negra da noite
na lua cheia; hoje mensageiras das
estrelas, a recordar-nos promessas de verão.

E o coelho que passa na pressa
não nos trouxe os chocolates
Pois que já é tarde, muito tarde!
A calidez do lar prenuncia amargura
Então você se perde, entre as promessas das ruas,
pois para o mal que o sustenta, nunca haverá cura.
Em todo êxtase arde uma secreta agonia,
e é assim que uma história encontra seu fim,
e as noites agora serão iguais aos dias!

terça-feira, 22 de março de 2011

Uma homenagem ao dia da poesia.




A poesia que vem á nós!

Quando a poesia visitou nossa cidade
Não quis alarde nem fanfarras
Pediu ás estrelas para que emudecessem
Pediu aos animais que não se excedessem
ao vê-la passear pela multidão invisível

Retornou como a um Lar Perdido
Envolta em névoas de sonho, perfumes de adeus
Encoberta sua translúcida luminosidade
Com o capuz das lendas.
Disfarçou o seu rosto com palavras serenas
E com o manto da fantasia encobriu suas promessas
Suaves vagas transparentes de inquietação
Traíram enfim a sua presença!
Derrotada se deu a conhecer...

Quando abre muralhas e cancelas,
convida-o a entrar e conhecer
a imensidão solitária e infinita
do céu que se ama e se mata
em abismos profundos enquanto multiplica
Você pensa flutuar em êxtase e silêncio
enquanto Ela diz:-"Tu és A Liberdade",
Agora olhe em volta: encerrado estás para sempre
onde jamais serás encontrado.

Quando abre suas asas de marzipã
você se rende á pior das batalhas
Aquela de quem ninguém sai vencedor.
Onde a Glória e a Honra encombrem seu rosto
E baixam os olhos ao ver-te
Lá esta ela e diz:"-Você é o Amor"!
Olhe agora para as suas mãos molhadas de sangue
ouça os gritos que jazem pela trilha aberta por teus passos
eles talham o leite materno e a madrugada.

E quando ela derrama sua luz pelos subterrâneos
Reencontra seus órfãos sedados e sedentos
Precipita-se dos telhados onde dança
o pulsar de mil quasares.Esquece-se e desliza
Derrama-se em agua fresca, prolifera-se maná
Com seus olhos de piedade sofrida, sunsurra:
"-Tu és a Bondade!" E quando olhares em volta
não reconhecerás a ninguém nem a ti mesmo.
E os espelhos refletem o Vazio.

A poesia então retira-se triste e pesarosa
atrás de si ouve-se rangerem os dentes
e um aflito desejo de que volte, volte,volte...

segunda-feira, 21 de março de 2011

Elas levam a vida nos cabelos.


De Eduardo Galeano.

Por mais negros que crucifiquem ou pendurem em ganchos de ferro que atravessam suas costelas, são incessantes as fugas nas quatrocentas plantações da costa do Suriname. Selva adentro, um leão negro flameja na bandeira amarela dos cimarrões. Na falta de balas, as armas disparam pedrinhas ou botões de osso; mas a floresta impenetrável é o melhor aliado contra os holandeses.

Antes de escapar,as escravas roubam grãos de arroz e de milho, pepitas de trigo, feijão e sementes de abóbora. Suas enormes cabeleiras viram celeiros. Quando chegam nos refúgios abertos na selva, as mulheres sacodem as cabeças e fecundam assim, a terra livre.

Publico este lindíssimo conto de Eduardo Galeano em homenagem á duas datas especiais. O Dia da Mulher passado dia 08/03 e o Dia Contra a Discriminação Racial no dia 21 de março.

domingo, 20 de março de 2011

Homenagem á Super Lua 19/03/2011














Todas as fotos de Adriana Bunn.

O que você faria se as palavras aprisionassem a sua alma?



Resposta para o Concurso do site "O Livreiro"

Procuraria atraí-las - as palavras - com aquele tipo de Silêncio onde aquela minha alma constumava resguardar-se, porém agora saudosa de mim mesma.Onde restasse Nada permaneceria então imersa na escuridão, a espera de novos acontecimentos.
Talvez assim elas mesmas me procurassem. Mas o que poderia eu dar-lhes em resgate, senão vagas insones a propagar-se pelo espaço a depositar aos seus pés flagelados ecos de memórias sem mais importância. A palavra não poderia mais reconhecer a si mesma,assim decomposta em sua ultima sílaba. Eis um certo jeito de dizer "Não", erguer o espelho e fazer com que reflita o beco sem saída em que se meteu voluntariamente o carcereiro.
Talvez se apercebessem do meu truque. Em uma ultima tentativa aproveita-me ia do fato de estarem assim próximas para estender as mãos - ainda que de modo autômato - e como puro autoreflexo acariciá-las em seus desvãos, seus códigos mortos, seus pontos cegos e secretas ignomínias.É possível que assim se pusessem a rir, abrindo-se em sépalas de luz e fragrâncias insuspeitas.Talvez sobrevivesse e emergisse, renascida e liberta no Jardim dos Anseios com as mãos ainda manchadas, luminescentes e algo estáticas de antigos pesadelos em tinta.
É, seria uma possibilidade fossem estas palavras pétreas e eternizadoras, pois tudo o que se serve da grafia também carrega a Marca da Condenação. Por outro lado, talvez fosse tudo em vão. E se fossem estas palavras vãs e levianas? Neste ultimo caso,em um final não-alternativo, um corpo já desalmado bebe cicuta, sem memória sequer do que ou quem lhe trouxe de arrasto até esse momento. Pela História esquecida e pla Palavra Amaldiçoada perdem-se Corações e Mentes, aprisionam-se as Almas. Quantos já não morreram assim, proscritos e exilados em uma Solidão Anônima? Neste caso, ninguém nunca poderá dizer que terá valido de Nada.