domingo, 22 de julho de 2012

Sou paciente!

"...nunca escrevi nada que não fosse confissão" - Mário Quintana.



Hoje me chamam paciente
E por isso silencio
Frente ás normas arbitrárias,
aos dilemas insolúveis
e ás miseráveis insolentes.
E também,  a outras coisas,
que não posso nomear
mas que se fazem freqüentes
e encerram -me nesta armadilha
que dizem ser minha obrigação
assentir e suportar.
Não, não é masoquismo
É "ajudar-me...a ajudar..."

E é com muita paciência
Que deslizo pelos meus dias
Equilibrando-me, cega
Entre desespero e fantasia
Escuso-me daquilo que me escapa,
Ponto mal dado em linha torta
Tecendo a capa do hipócrita,
Vejo diluir em metafísica
A mais pura incompetência
Mas não serei eu a despertar
A arrogância que desanda
em vingativa inconsequência
E estoura na ponta mais fraca,
- estatística tragédia.

E assim, paciente, me encolho,
Enovelada em minha náusea,
com a dignidade perdida
Vagando em labirintos de névoa
- pelas noites entorpecidas,
E no meu leito quebrado,
estendo a sina dolorida
Calo as lágrimas e fecho os olhos
-abrindo os braços para a tela
Dos mais deslavados sonhos,
variantes de um mesmo tema...
- Ser novamente, senhora do meu corpo
Cavalgar os dias de acordo com minha vontade
Rever os que amo, desdobrar-me em cuidados,
Velando pela chama que ilumina, que arde,
Desvelar o caminho, e que seja, e que faça
Que meu lar lá esteja...e que eu volte para casa..."



domingo, 8 de julho de 2012

Dia de Alta!






Desconectada
De transparentes conductos
Que me alimentavam
e sugavam
mantendo-me viva
e agonizante!
Arrancada destes meus títeres umbilicais
Tudo o que resta é algo assim conflitante
Como o princípio do irromper
de um casulo
em que há promessa de luz - mas não céu
e um despertar apenas para sentir-se estranho
Resta a memória da dor
Nas veias ressentidas
Reaprender em si mesmo aquele rotineiro movimento
E a flutuação  dos sentidos
ainda entorpecidos - na irrealidade opaca

É como toda a manhã sentir
aquela "pontada"que prenuncia a chuva
na perna agora amputada
E ver pela janela o belo dia
que ri a altas gargalhadas lá fora....

-Sera mesmo que o corpo sobre a mente vigora?

sábado, 7 de julho de 2012

Ecumênica.





Um arco-íris musical
De notas atávicas e dissonantes
Do ritmo ocre, magenta vibrante
Á purpúrea melodia altissonante

São orações que sobem aos céus
Enquanto fecho os olhos, e se eu pudesse
Ouvir por um momento esta canção
Certa compreensão talvez me invadisse

Algo que para sempre me escapa
Corre e viceja, afilia e fenece
Prometeu a paz, mas trouxe a espada
Algo que sagrado, segreda e esquece...