quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Acontecimentos Setembrinos.


 (Esta foto é do blog de mariachelli, e se você gostou desta imagem saiba que há mais destas - todas lindas - aqui)

    Não sei como pude esquecer a janela aberta, eu que já vinha espirrando o pólem dessa estação tão medianeira.Em breve seria, oficialmente, primavera e já começam a se espreguiçar, alongando-se pelas calçadas e avenidas, as sombras das arvores. Eu sabia que acontecia todo o ano, depois da chuva.Pressenti que no final da tarde choveria. Então...como pude?
    Agora já não importa.Meu quarto já é o palco de mil e uma bailarinas esvoaçando sua alegre disposição para o amor. O perfume de terra molhada, de flor pisada e a algaravia do poente compõe o cenário com a precisão de um John Woo.E como á tudo que ama, será inútil enfrentar e a espera nesse caso é o mais aconselhado.Minha avó já dizia "quando quer se perder, cria asas..." Me encolho frente a pequenez da adversária e fecho a porta,sabendo que terei de dormir na sala e que amanhã todas elas terão sumido.As formigas aladas.Deixarão para trás - pelo chão encerado,por sobre a mesa e minha cama- suas asas translúcidas e um lembrete claro: voe alto, invada o cárcere, vá para longe...abandone seu mundo, abandone as asas, abandone-se!

Íntima

                                                  (Deck de Shadowscapes Tarot, princesa de copas, demais decks Aqui)





A noite já estendeu sobre o céu seu manto úmido de escuridão
Pingam estrelas.
Me espia por sobre a corda bamba , tateando as reentrâncias em esquecido muro de hera
e dolorosa melancolia
-um beco sem saída que desconcerta-
Eu conheço esta harmonia e vou em busca da passagem secreta,  ás cegas, com o coração na ponta dos dedos
Enquanto a tua nudez me invade em terno alívio
-Como as ondas-
De quando em quando, eternamente.

domingo, 2 de setembro de 2012

Não terá 140 caracteres.





Eu e ela,

O dia corria solto como ventania em campina amarga.Isadora suspirava na memória de alguém: "quem
dera..." Eu também esperava por ele, mas não como as senhoras de antigamente, debruçada na janela. Não era assim, feito ela, mas antes, nas esquinas, nas praças, nas ruas semeando novos amanhãs e arrancando o leite - e o pão - das pedras. Isadora, tão diferente, nem queria saber de tais querelas.Não era dessas, mas daquelas que, ocultas pela poeira do tempo, terão seu rosto traçado com novos mapas. Parteiras do sobrenome.Padeiras da inquietude. Fundadoras de reinos. Dia e noite no tear, sol a pino, entremeava os destinos dos seus na Terra e, quando anoitecia, para a lua cheia bordava estrelas. E eu que vivia no poente, corria com os pés nus para onde? Para onde? Para no final do dia voltar para casa...
Enquanto o Outro se inclina,beija minha testa e me deseja: bons sonhos!