sábado, 29 de dezembro de 2012

2012 - O ano em que o mundo não acabou!

Enquanto todos se preocupavam em interpretar supostas profecias e revelações do calendário maia - ou sua ausência - o exército zapatista que, com franqueza, eu não via na mídia a muito tempo, sai em passeata no mais absoluto silêncio, de rosto coberto e com uma mensagem bastante...huuummm...peculiar: "ouçam o som de seu mundo desmoronando."
Eu pensei comigo quando li a este respeito:é assim que as "profecias" se cumprem. Saltam de repente do leito morno e tranqüilo de nossa letargia para banhar-se ao sol nas margens do inusitado.Este acontecimento para mim foi sem sombra de dúvidas, o mais emblemático do ano. E talvez tenha sido assim, tão significativo, porque em meu microcosmo -o único pelo qual sou inteiramente responsável, embora não seja absolutamente culpada - um verdadeiro mundo se desmoronava,em silêncio, arrastando nesse caos zilhões de possibilidades luminescentes e recomeços.Eu fico pensando que é assim, em silêncio, que verdadeiras
metamorfoses acontecem.E que nesse big-bang o som realmente não se propaga.
Eu percebi que, em muitas dimensões acontecia o mesmo a muitos de meus amigos - embora de forma talvez não tão radicalizada. Muitos deles pareciam muito entretidos em dançar a coreografia improvisada de finalizar etapas e trazer á tona recomeços. Para alguns, saltos transcedentes, quase impossíveis,desafios tácitos ás leis da natureza. Para outros tantos, a delicadeza e a precisão técnica de uma Rachel Brice, um fluir quase murmurante em consonância com o TODO.Segredos de diamante contra a fragilidade do vidro,
assim limpo, moldando novas formas sem estilhaçar. Sim, alguns conseguem, eu mesma testemunhei isto algumas vezes.
E vocês viram que foi descoberto um planeta há mais ou menos 41 anos luz do nosso planetinha azul com a superfície coberta de grafite e diamante.Os mais ambiciosos devem ter sentido agua na boca quando disseram que que ele - duas vezes maior e oito vezes mais maciço - é feito de DIAMANTE!Mas o poeta não faz este cálculo. Pensa no grafite, que traz á luz de outros olhares o que antes era apenas um rascunho em forma de abstração, e no diamante símbolo máximo de valor e perenidade também brilhando multicor
ao redor do sol, desabrochando o que é significante em toda a sua plenitude, uma flor de sonho.Qual será seu perfume? Como a poesia que é assim só por ser, porque lhe é natural brilhar e por isso, a tudo o que
toca, confere sua luz e calor pulsantes - ora dor e ora sinal vital. Sim, eu sei que este meu pequeno jardim nada tem a dizer aos planos dos poderosos em meu mundo.E que o que acontece no meu círculo de relações não espraia nem confundirá essa enorme teia que chamamos mundo social, onde uma borboleta se agita incognoscível, e apenas por este breve instante que a nossa imaginação nomeia: eternidade.A borboleta
também nada sabe dos furacões, nada tem a dizer nos congressos de especialistas e nas poucas vezes que pede a palavra, é para relembrar-nos triste de sua própria fragilidade.
Mas ainda assim...
Eu sei que naquilo que há de mais frustrante parece que vimos tudo a se repetir: a guerra, a corrupção prenhe de doença e morte, o descaso de alguns, o desespero de tantos.E também que talvez o que eu disse não faça o menor sentido para você. Talvez este ano de 2012 tenha sido um ano absolutamente previsível em todos os seus aspectos - ou na maioria deles.E eu penso que deve ser assim mesmo.Somos todos tão diferentes, não é mesmo?
Mas enfim, deixo aqui minhas impressões digitalizadas porque esta data de nosso calendário gregoriano - e que portanto nem sequer é a única data - demarca em nossa sociedade outro divisor de águas, um momento crítico escolhido pela maioria para a reflexão e o renascimento da alegria, após o cansasso da orgia de consumo que é este Natal tão esquecido.E eu me sinto parte;Talvez tenha feito isso só para ter o gostinho de me sentir igual a todo mundo, eu que muitas vezes sou tão desigual mesmo sem querer... E porque de uma forma muito profunda e pessoal talvez estejamos em comunhão, muito além de unidos por uma época, mesma língua e costumes, na intenção clara de curar este nosso planeta ferido.Esta é enfim só mais uma aposta que faço ao Tempo,mesmo sabendo que o nome não é jogo de azar tão assim, por acaso.Convido você que teve paciência de ler-me até aqui a juntar as mãos em concha na escuridão destas mesmas aguas e tentar colher - mesmo sabendo que elas lhe escaparão das palmas em pouco tempo - esses pequenos mundos e recomeços luminescentes que restaram dos escombros e ruínas de 2012...

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Pássaros feridos







Filho,cuidado!
O sol aquece e ilumina
e pode machucar

Filho, cuidado!
A noite encanta e excita
mas nem sempre o protegerá
E o que fazer quando chegar o dia?

Filho você pode tropeçar
no desejo do outro no jogo da vida
Mas não se encolha para caber no que não lhe convém
Não se estique tanto pelo que não puder alcançar
Pois quem estica demais pode arrebentar
E quem se encolhe e se rebaixa, atrofia.

Cerre o punho para prender, e o que era vivo morre
Olhe para além da luz, e estará cego
Olhe para baixo, e sentirá o chamado do abismo...

Mas, por outro lado, como nunca saber
Dos encantos da noite se nela não me perder?
Dos amigos, se nas noites frias nunca me encolher?
Do amanhã, se junto as estrelas não dormir?
Do ardor tão silente dos pássaros feridos...
Da gravidade profunda brota a canção...teu abismo?




terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Canção da Madrugada



Há um sabor doce e suave que se insinua
sob o ferro incandescente
A adivinha é fácil, mais fácil ainda é saber
Você não vai arriscar
Eu sinto muito pela tua ausência
Mar
Em minha alma transbordante foi erguida
uma represa
Substação abandonada, giram as hélices
Mas a energia não chega
Eu sei que é um olhar, assim, de "través"
Encanta
Mas quanta promessa!
E para que pagar para ver
Se é só esperar?
O sol desabrochar mais um dia
...é só tocar mais esta canção...
E eu não
tenho pressa!