domingo, 6 de abril de 2014

Em círculos e sem matilha...






É você quem passa
Atravessa avenidas largas para
andar em ruas estreitas de calçamento quebrado
e ar de abandono,olhando para o nada
Equilibrando-se em pirâmides de pré-moldados
De cimento - com um pé na esperança e outro
no esquecimento - através de
casas que parecem vazias
e seus jardins perfeitos para vidas
cercadas de flores e
modeladas em gesso.

Em silêncio...

Ouve os ecos pelos labirinticos corredores estéreis
das lojas de departamentos
Você foge em busca de ar
Pelos becos poeirentos com a garganta seca
e quando a tempestade
Chega você encontra abrigo
No abraço tímido de um flamboyant
Que desistiu de erguer seus galhos
para o céu.Você também...
Fala ao celular por tempo de mais (quanto tempo?)
Com ninguém, enquanto a tempestade
passa, como a arvore e os pássaros
Seguirão seu rumo diminuindo
passo á passo ás tuas costas

Desaparecerão...

Como você também
na certeza de que
houve um momento no tempo
Um oásis, um lar ou uma torre
mas tudo se desfez.
Como sua memória á luz do sol da manhã.
Incendiaram-se as casas
Derrubaram as pontes, envenenaram as fontes
Salgaram a terra.Partiram os amigos
E depois os pais...E aí esta você
Estranho, desertor e desterrado
Perdido e só
Em um lugar que já lhe foi tão caro...

Teu próprio coração é agora um mapa estilhaçado.