quarta-feira, 28 de maio de 2014

Na ponta dos pés.




Pé ante pé
Para não acordar
ninguém
não quero magoar esse
silêncio
que me acolhe
cálido
e não quero que me vejam
e poder não me comportar
me adequar
me conformar
Quando tudo me dói.

Caminho na ponta dos dedos
Cada inspiração é novo estilhaço
em meu peito
Eu subo a ladeira de cascalhos
 - parecem vidro quebrando sob meus saltos -
Denunciam meu degredo.
Os cães ladram e as sirenes
arrebentam estridentes
O apito do vigia  ressoa entre dentes e
maldições
-"Por que na rua,assim tão tarde?"
-"Não pode ser daqui..."
"-Não é ela..."
E os vizinhos destravam suas armas e portões.
Ah, escuridão,escuridão...

 - Eu queria mesmo era estar só e não despertar o tempo.

sexta-feira, 23 de maio de 2014

Da profissão de fé e a marca da poesia...










Procuro ensinar com a doçura que nunca encontrei
Com a graça que nunca tive
Com a leveza que se perdeu
Com o amor que não conquistei
Com o regozijo da vitória que me escapou por entre os dedos
E com algo de único, que ninguém jamais encontrará,
Nem eu mesma.

Eu sei que há ...

dores e mágoas,espinhos inconfessos.

Sei inclusive que não vou conseguir
Mas juro que o faço!

sábado, 17 de maio de 2014

Brinde Secreto





Um brinde secreto
Ás lágrimas que você derramou - e eu não me lembro-
Aos dias que chorei - e você não viu.
Aos beijos que não trocamos
Ao quanto nos ferimos, e tantas vezes
E deixamos que nos inundasse o medo
Ao ponto de que não mais
nos reconhecemos
 - eu não sei se há morte
e não se se há tempo -
Até chegar o dia em que.
-insuportáveis-
Sopradas ao vento...

Flutuaremos incertas como estrelas
como as palavras que nunca dissemos

Condenação.





Eu sei das mulheres cada quarto de lua
E bebo dos homens - em longos tragos -
todo o sol
Ainda que ardente,
amargo ou poente
Sigo á passo pelo sentido sétimo
Por ser assim,cega
a luz segue seu curso
Atirando-se pelo precipício
Do meu olhar
Condeno-me a apaixonar
 Pelo que não quero, e ainda
mais me atrai

Eu visto as luvas de cetim do sonho
Para ser suspeita
E num sorriso torto
Amenizar minhas penas
Capitais...

quinta-feira, 8 de maio de 2014

Cicatrizes.



Minhas tatuagens já desbotaram 
Mas as cicatrizes, não
Apesar disso insistem em dizer
Que tudo é uma questão de escolha -
Seguem minhas marcas
Cada vez mais vivas
Serpentes de cetim
Armando o bote...
Como pode?
Elas são como galhos firmes
que prendem um suspiro
para sempre em meus seios
Elas são como raios,
 riscando gélidos a escuridão -minha pele -
Anunciação
Debatendo-se contra o céu
Pontadas de lança contra o sol
Quando despertam
comicham e adormecem sob as unhas
Minhas memórias- o coração ainda pulsa
Em sua cela inflamada
Eu conto apenas três, mas poderia jurar
Por sobre dezenas

Despisto a manhã subindo pelas águas...

Sou a ultima de minha espécie
Me escondo por entre os plátanos
e abismos escarpados
Consagrando desenhos de giz
Recuso o resgate...

Esta noite eu juro! Dançarei pela chuva...



Bem-me-quer...





As horas passam
as folhas caem
Recobrem sentimentos
outonais...

Bem-me-quer
Nem-me-quer
você Truffaut
Meu Baudelaire

Adivinham meus pesadelos
Que arrepiam pelos jornais
Escorrem por nossas frestas
O sol que sangra a tarde que cai...

Mal-me-quer
Bem-me quer
Você Rimbaud
Minha Flaubert

As lágrimas devoram o tempo
Volúpia lenta - nunca mais...
A agenda dilacera implacável
Meus restos sentimentais...

Mal-me-quer...sempre quis, ai,ai!