segunda-feira, 18 de agosto de 2014

A Senhora em Tempos de Trégua.








Esta trégua é um vinho raro
Sob a língua a doçura de um sol
nascente
Que esconde o travo escuro
De um amargo poente.

Se de tua garganta
Brotam lagartos e serpes
Ou pedras preciosas
Ela sangra, seca,inflama
E você morre
É assim mesmo, pouco importa...

O bem que fez ou o mal que impetrou
Indiferentes e luzidias mortalhas
Silencia pois
E será por ti mesma,
lentamente asfixiada
É ela, a Ceifadora,
Soberana e senhora
De todas as encruzilhadas
Pois que nada adianta
Nada!


Tristeza.






Minha garganta é um abismo particular
Um poço profundo e escuro,talvez
E no seu fundo
encarcerada a Alma
Que faz vibrar a voz
-De quando em vez
Para saber-se viva!

Estreitando a passagem há uma mágoa feroz,
pingando veneno em seus dentes de aço.
É a guardiã de todas as palavras
encerradas na alma,
que jaz mais abaixo

Tristeza...
Minhas verdades moram
Entre a serpente e o pássaro
-muito distantes das estrelas...