segunda-feira, 13 de outubro de 2014

A Casa da Noite da Paixão...




Parecem vir solitárias da bruma tardia
Mas é de par em par que deslizam tranquilas
Como cisnes tão suaves que viessem em procissão
Prestar seu culto na Casa da Noite da Paixão

Aquela ali é a Pandora das Mil Desgraças
Que chega vestida de Borboleta
Aquele outro, é triste, é só, é desgraçado
Empertigado em sua máscara de Poeta...
Aquela outra, é dada, é fácil e alegre cornucópia,
de prazeres vis e pernas tortas,
Vestida de flores de virginal pureza
Terna inocência é bela e profana
- mas a ninguém engana...esta é sua pena
Um veste diáfanos linhos brancos egípcios
Outros pesados mantos de ascetas
Misturam-se às fadas, animais demoníacos
Dragões e Coelhos, Grifos e Libélulas
Umas trabalhadas em signo, outros marchetadas em pedra
Todos tão livres e suaves como chuva

Que toque sem parar esse nova música
Que se alegrem sem cessar os convidados de honra
Transbordem as taças,ecoem as palmas
Enquanto os amores antigos se reencontram pelas sombras!
Manchem de horror e infâmia esse sutil holocausto!
Acendem para outro sempre, novas cores nestes prismas
De sons & silêncios, lágrimas e sorrisos
Deste jardim noturno, que jamais seria o Paraíso...
Em que dançará o Rei, a Bruxa e o Inimigo Assassino

São as Palavras quem, nesse baile de máscaras
Reencontram o sentido de si mesmas...
Embriagadas na maciez deste estranho labirinto...
Condenadas que estão a ocultar seu rosto
Enquanto cada um de nós só fingir que esta vivo...