quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Inspiração.






A estrelinha parecia piscar para mim
Eu sorri feliz- mas de repente...não
Sumiu -  talvez fosse só uma gota
de chuva e que ainda se equilibrava
Presa aos negros cabos da fiação.

Valeta,poça d'água, rio,lagoa,mar
Açude barrento, terra encharcada,olhar
Manguezal, nascente clara, riachão...
Tudo que se torna água, brota gota a gota
E ser água é ser pequena, só, imensidão...

Mas aquela era mistério, e permanecia...
Pois talvez não soubesse como ir ao chão
É da chuva saber cair,  jogar-se, flutuar
Porque gota d'água é vida!
Mas a estrela...não!

A estrela vibra, encanta e dança solta
Em outros céus distantes, talvez,
nunca ao alcance da mão
A estrela é sobretudo lembrança,
Guardando para si o que for aflição...

Mas era sim estrela , o que se escondia,
no cortinado da noite, pelos cabos de fiação!
Eu me enganara! Ela piscou e de repente...
Pareceu precipitar-se, riscar os céus...anunciação!

- Era a gota clara do sentimento, virou poema e tinta
 amor e canção...

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Do inferno ao infinito...






Tempos difíceis,
De sal e fogo
Tudo sabe a pólvora,
tão difícil respirar!
O perfume da morte
é a lama e o silêncio
Crisálidas dormentes
que estremecem em chamas
fermentando o sonhar
flores murcham ressequidas
Traçando novos caminhos
Desfazendo-se em neblina...


Já foram os anos de verdura e alegria
A que trazia o pão alimentava o sonho
A que botava a mesa, bordava a fantasia
E num estalar de dedos, tudo revivia!
Revezando-se eternas, em meu panteão particular,
Enquanto eu...escrevia poemas sem saber amar,
Afiava as facas, com medo de me cortar,
Jogava os dados ao acaso, para não pensar...

Não sei bem pelo que esperava
E nunca soube -nem por mal- o que queria
Se durante a noite, perseguia as fadas
Tecia mortalhas falsas, durante o dia
Esperando o Tempo atravessar a soleira
Voltava a desenhar com giz as minhas penas
Nas calçadas das ruas de ontem, já desertas,
Pulando amarelinha - do inferno ao infinito -
Consegui atravessar em mil quarentenas...


Eu fechei bem a porta, mas as fadas já se foram,
Com minhas lembranças, pela janela aberta...

Autos de Indiferença





Era para ser o paraíso, mas começamos a trocar
por algumas concessões
e instáveis benefícios

Lembramos o dia em que já foi quase perfeito
E mais um dia já se foi
Já sabemos quem será eleito

Repetem-se os vícios,
Barganhas do sonho desfeito

E o que repete no final
Não é da força estribilho
Mas sempre a mesma batida,
Onde todo o risco é fatal
E já não se atina os trilhos
Ninguém liga se for uma vida...


Pulsão de morte -e-justiça
Que mais parece castigo,
deixa na boca um sorriso
e um gosto amargo de cinza...