quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Tao.



"O TAO que pode ser pronunciado, não é o TAO" - Lao Tzu


É sobre o que se anuncia
aos quatro ventos, e não se sabe
Do mistério, o véu que esconde
Sua única verdade
Um caminho que se perdeu
Um gesto que se hesitou
E num soluço afogou-se...
Fez-se tão caro o resgate
Que a ligação caiu
Nos desvãos de um espaço vazio
Desviou-se e escondeu...
Chama que não atende
Força que não se entende...

A busca
É no poema, a pedra
Na nota clara, a dissonância
É um açoite que dança
O passo em falso na peça
Que apura o paladar
Especialmente para o doce
Mas traz apreço ao amargo
E cria um caleidoscópio
De sol num ocaso mais raro
Tapete em que deslizam
os pés descalços da lua
que sangra, e teima em saber
que ainda ontem sabia-se minha
mas hoje,não sabe, e é tua

Esta procura que não cessa
Esta sede que não passa
Isso que não se sacia
E sempre acaba em desgraça
É sobre isso que cala
o tapa que estala na pele
Uma resposta que não vem
A carícia que sufoca a mágoa
A represa que arrebenta
Em lama desfaz...a Vale!
O perigo sabe melhor
Que o desespero, mais claro
Um é condor por sobre o abismo
O outro curió engaiolado
E quem não sabe que este último
Será sempre o mais caro?

É sobre isso que grita
É sobre isso que mata
Aquilo que sobrevive
Quando tudo o mais nos maltrata
É enfim tudo o que resta...
E que faz com que haja sobra
Por mais que o Mal nos persiga
E a Miséria bata à porta
No fim a gente se une
A gente parte para briga
E no calor da batalha...
É que a gente descobre

Que é exatamente disso que se trata
Que é de nós sim, que se fala
Que é você que, se toca,
Acende, arde e revela...
Que é de mim, quando sinto,
Transbordo, resguardo,segredo...













sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Origens.






Raiz é escada ao avesso
De retorno
Ao começo
Goteja sangue na pele seca e escura,
pelo tempo crestada e torna -se fonte
Estende -se lençol num colchão de pedras
E brota macio olho d'água clara

Se a estrada se bifurca...estou a ferros na senzala
E em chamas na praça, se ando em círculos perdida
Me fiz ao mar quando chão não mais havia
E para fugir das pragas, cavalguei as dunas,
Souberam de mim apenas o Mal e as estrelas...
Que me serviram ambos, âncora,Ítaca e bússola...

Eu que já fui flor,
Tornei-me pólen
Para dançar invisível
Entre tantos pequenos nós,
Entretecida,
Gota de seda dourada,
Flutuo em redemoinho,
Em nome do amor
Por sobre a brisa...