sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Solidão






É saciar o anseio triste das calçadas
E receber meio que sem sentir o abraço leve das encruzilhadas
Um sorriso aos beijos do sol,
Acenar com um lenço na partida
Enlaçar-se ao vento

Viver os desvarios do silêncio
Calmaria
Que traga medo ao mar
É o que se evita
A canção mais amada
Que não se consegue mais lembrar
Contrair-se
Até o ponto de não saber mais
O que foi
O que fui
O que será
Perdem-se os horizontes, abrem-se caminhos...
E toda a janela aberta é um altar
Onde o olhar se perde,
perseguindo implacável
o que já não sabe querer mais...

Frágil,dolorida, meio insana
Fundir-se as cores, tornar-se instrumento musical,
Bastar-se em si mesma, meio folha,muito animal
E ainda assim perene,secular e mais humana
Pois...
Estar sozinha é negar o abandono
A raiva, a tristeza, o desengano,
Fazer origamis com mapas e planos
Tirar fotos de tudo
E assistir, como à um espetáculo
O suicídio lento das admirações
O fim melancólico das paixões
A areia fina que escorre da ampulheta,
Encobrindo as pegadas e as migalhas
Perdendo a vontade de voltar

E perceber-se certa, em paz, plena e perfeita...
No oásis onde nada te espreita, nem te importa...


sábado, 20 de fevereiro de 2016

Um enigma.





Uma borboleta
Asas azuis da cor do planeta,
Equilibra-se

Para além da vidraça de estrelas
Pousada na lateral da canaleta,
Que sustenta as Heras que crescem
E desabrocham
Lentas.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Uma pequena fábula!




Então as mulheres e homens do Sol
ergueram-se por toda a parte.
E em toda a parte a Luz brilhou
Por entre suas mãos,
O fogo aqueceu o primeiro sorriso,
Fez-se Arte & Medicina,
Labor e Delícia
Uma canção de júbilo ao astro...

Homens e mulheres do Sol ergueram muros e pontes
Bordaram pedras, teceram templos, feriram as mãos
E seu sangue nutriu a terra
Que linda colheita!
"Nunca mais passaremos fome!"

Mulheres e homens do Sol trouxeram os animais
Tão para junto de si
Que deles passaram a dispôr
Carne, leite, sangue ou amor
Cada um foi chamado e escolhido,
De acordo com seu par...

Mesmo assim, o Homem do Sol conheceu a necessidade
E fez a Guera
E a Mulher do Sol conheceu o Medo,
E fez a Letra
De Letra e Guerra, a filha estranha,
a Lei.

E nesse momento Homens e Mulheres da Lua,
Orientados pelas estrelas
Partiram para longe
E para dentro,
E deles nunca se soube,
Como já não se sabia
naquele momento...