terça-feira, 10 de maio de 2016

Uma noite sombria...



Ela, da raça ancestral dos primeiros dias desta terra,
Canta seu suicídio mudo às estrelas no fundo da floresta...
Sua alma foge da escravidão, e lança-se aos céus
Ainda a tempo de ver...

Ele, fruto imberbe da raiz dos reis humilhados
Afoga-se em sangue à luz do dia quando cerram seus olhos
Que ontem ardiam de rancor, na mágoa profunda da violência
Ele...sacrificado e estatístico auto-de resistência,
Torna-se em ato e parece que antevê...

Elas, as crianças de todas as cores,
Que transitam pelas ruínas surdas de lugares intactos
Fugindo do frio, do aço, do cansaço
Torporificadas pelo crack, pela cola, pelo álcool
Deslizam suavemente pela mortalha sonho...

Por todos eles se erguerá a voz pela canção última,
No compasso dos Lanceiros Negros, a Dança que invoca
As chamas da luta encarniçada que agora recomeça,

Para que amanhã não seja mais um dia
neste país de tantas terras...
para que não se esqueça
e nunca mais aconteça...