domingo, 12 de junho de 2016

Brevemente!





O amor bateu á porta
mas não quis ficar muito tempo,
Nunca fica mesmo,
Mal chega e já anuncia,
Quando vai embora...

O amor é o hiato de espera,
É o menino soprando bolhas de sabão
para depois, correr atrás delas,
E elas mesmas, amor, se vão
flutuando sobre o abismo,
perecendo em si mesmas
como um elétron-metafísico,
faz se presente em sua ausência
fagulha de toda a luz e existência,
navegando em ondas incertas,
de intrincado padrão
guardando um outro significado
que em si mesmo se encerra
uma piscadela,
um aperto de mão,
papilhos de dente de leão
um raio de sol que invade a cela...

O amor esta
no "não" da menina ao sorriso
no "sim" de Bovary ao opóbrio
e no "talvez", ah, esse "talvez" que pode durar
uma vida inteira...

Ele esteve por aqui
até ainda há pouco
E ainda esta, onde já não se enxerga,
Pois ontem como agora
O amor nunca "esta" nem "é"
Mas aflora...
E como pássaro, recolhe-se
E troca as penas,
E só na noite mais escura
ouvimos sua canção serena!