quarta-feira, 6 de julho de 2016

Blues do Demônio Perdido



Para uns eu sou o Caminho
Para outros, um Abrigo
Mas não passo de um triste
Demônio
Perdido

Por favor, escuta o que eu digo...

Quando minha mãe ia às compras, na Avenida Redenção
Ela sempre olhava para os lados
Me carregando pela mão
E mesmo assim, tudo se foi,
Eu caí, e nem sei como,
Deslizando pela mente
Dessa moça demente
Num looping de ilusão,
E agora...
Esta muito iluminado aqui dentro
E chove muito lá fora...

Por favor, escuta...

Eu não reconheço suas ruas
Eu não entendo o seu padrão
Seus valores me são estranhos
E por que o que vale tanto...aqui é tão pouco?
Por que o que é tão pouco vale tanto?

E se eu falo só a verdade
Aí mesmo que não ouvem o que digo
Dizem de mim que sou feio, sou louco, sou pouco,
Sou lindo...
Querem que eu pague as contas, trace as apostas, sorria e
sofra junto, como fazem os bons
Amigos

Porque para uns eu sou todo mau,
Para outros, só vacilo...
Mas não passo de um seu criado,
Pequeno demônio
Perdido...

Em um dia ensolarado nas avenidas largas
Quando minha mãe foi ao mercado, eu quis espiar
as prateleiras
Eu quis que por um momento ela não mais me visse
Esse momento é agora a minha vida inteira...

Não consigo encontrar o caminho de casa,
Ninguém pode me ajudar, nem escuta o que eu digo
Não sei em que momento, arrancaram minhas asas,
Onde esta meu tridente?
Onde as chaves caíram?

Um atraso de vida
Um porto distante
Uma letra morta,
Um tipo escuro de diamante
Uma via de descaminho...

Porque para uns, eu sou um tipo de engodo
Um tipo de oásis na zona de conforto,
mas não há quem, de verdade, se importe comigo
Um menino ferido
Esse demônio
Perdido...







sexta-feira, 1 de julho de 2016

Quasar






Descobri na rocha,
teu peito,
um céu de azul impossível...

Mas eles dizem que o produziram
em laboratório
e, portanto, já o tinham visto...

Do perfume da minha pele disseste,.
Alcaçuz, pétalas de jaspe, açucena,
pau-de canela, caixa de costura e zimbro...

Enquanto comentam ser assim...algo imaginativo
Silencio na certeza de que a paixão sempre atiça
em todos nós um faro lupino...

Constaste-me que à noite
as estrelas choravam,
enquanto tu nu, só e aos gritos...

Significava a dor de existir num berço de  silêncio
Enquanto eles dizem "são apenas meteoritos"
sentimos nossa canção,quasar pulsando no infinito...

E é por isso, que à verdades tão doutas
Eu ainda me desprendo, vez em quando, leve e solta,
e corro para o abraço ausente de um mistério divino...