segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Briga besta!

Que coisa bem tola essa briga
De lobisomem com bruxa
De duende com saci
Se todo mundo que um dia
De abrigo necessitava
(e até quem nem precisava)
Encontrou carinho e comida
E fez daqui sua morada
Me diga, brigar para quê
A quem você quer convencer
Que valorizar o que é daqui
Se resume em recontar o antigo
e rejeitar o Halloween?

Outra coisa, até onde eu saiba,
bruxa, feiticeira,mandingueira,
é coisa que por aqui não falta!
(talvez o que não existam...sejam fadas)
Mas nem isso vou discutir...
Terra de desterrado e "corrido";
de cristão-novo e de escravo;
De pajelança nativa;
E de tolos desavisados;
De que O que mais tinha por aqui
era gente com medo da fogueira,
e que por isso, nunca voltou!
E ficou por aqui, mesmo estrangeira,
Contam até que um dia
A Inquisição nos visitou
E desistiu - disse ela -
Pela obscuridade...
Eu ainda acho que ficou tímida
Com a grande quantidade
De "quizombeiros" que encontrou!
Então, larga mão de besteira
E celebre como quiser
Mas não duvide que se ainda há
um país...em  muito isso se deve
Á força e a magia da mulher!

Quer contar quantas bruxas há?
Então eu vou começar,
Pelas mais comuns de se encontrar
Depois você diz para mim
Se eu não tenho razão...
Tem a clássica velha e feia,
Que assusta a criançada!
Ri histérica e fura bolas,
Sempre tem fama de malvada!
Dizem que rouba a embarcação...
Que enreda crina de cavalo
Que vira mariposa a noite
E nos bebês põe maldição,
E tem a louca da aldeia
E tem a louca dos gatos
E tem a louca da rua
E tem a louca do mato
Tem louca para todo mundo!
Louca para todos os gostos!
É tanta louca nesse lugar
Que dá até um desgosto...
Tem a versão boazinha,que reza,
-essa é a  benzedeira-
Tem a versão "tia solteira",
que sempre sabe simpatia,
Tem a mais moderna,das cartas,
cristais e da astrologia,
que fala em "fitoterapia."
Não muito diferente da herbateira
que vende suas folhas na calçada,
E se bobear muito
A procedência até é a mesma...
E olha que eu ainda nem falei,
De uma outra ainda mais recente
que fala lingua estranha
E dizem que faz profecia
E que não gosta da irmã
Que fala outra língua,
E na roda da dança gira.
Mas não tem muito problema, não...
Que quando a necessidade aperta
Todo mundo se dá as mãos...
E ainda faltou falar da que
de todas,é ainda a mais original,
É a que conhece tudo na floresta
E tudo o que faz...lhe é natural!


Você conseguiu contar
Quantas bruxas já dá para somar
Entre as que eu contei aí
E você acha mesmo que o problema
E festa de "Ralouí"?
Ou será que não é porque "a bruxa
jamais deixarás viver"?
Seja na sua fantasia, no calendário
ou em paz!
Então, fala para mim a verdade
Quantas você conheceu
Quantas já lhe ajudaram
Quantas vezes era você
Outras tantas até...eu!





quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Um tipo estranho de luto...




Para cada dor, uma lágrima,
uma brecha por onde escapa,
um raio de sol,
uma flor,
para onde o olhar escapa
Quando já não se quer ver mais nada...

Para cada perda uma história,
e as histórias se sucedem,
em cada história uma canção
se cruzam e entretecem,
o véu que nos encobre e esquece...
uma rede invisível de proteção...

Mas há dores em que não há palavras,
a memória desfalecida,
fundo abismo do nada,
onde a escuridão cria vida
E para esta Dor, não há recompensa,
nem lição, nem salmo, nem crença
como a confirmação da sentença:
"Agora e para sempre pária!"