segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

A mulher do meio dia!




(Fotografia de Lara Zankoul, encontrada no banco de imagens aqui:http://www.inspi.com.br/2014/01/fotografias-surreais-de-lara-zankoul/)


Abro os olhos
E a Luz rasga seu ventre com as unhas
Arranca de seu avesso, o Azul
Seu feminino encharcado em
delírio amniótico,
Faz resplandecer um novo dia,
Machuca o Mar com seus beijos,
Ele agora também é Luz e é Azul...
Eu agora sem fala ou letra ou gesto,
Só tênue...estremeço!

Não projeto sombra,
Derramo-a intensa e negra sobre a
minha alma,
E já não se escutam minhas passadas,
Resplandeço em luz fria,
Tudo me aquece,
O calor me arde
Nada me acalma,
Vivo um eterno meio-dia...

Meus sonhos são cartas,
cartas longas, suplicantes, sentidas
A um passado cada dia mais distante...
Eu acordo em rompantes
Ainda a tempo de segurar na altura do
queixo. E o açoite que me rasga a mão
Permite que eu traga meu algoz ao peito,
Frente a frente, a tensão
couro que trançado vibra
Mais alto que qualquer sentimento,
mas não estala,
Calado que está
no sangue
da palma
na face,
Um beijo
Boa noite,
meu bem...boa noite...

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