sexta-feira, 3 de março de 2017

A escrita indecifrável



(Foto de Bruno Alencastro)



Eu leio teu nome
Na escrita da terra,
líquen que rasga a pedra
formigas que se agitam incansáveis
em seus hinos de flor e fome...

Eu leio teu nome
Na escrita da água
conchas que se derramam
algas que se entrançando
sufocam a presa indefesa...

Eu leio o teu nome
Na chama
Ele consome as florestas
E clama poder sobre o que resta...
A juba dourada balança, rugindo sua gana...

Eu leio teu nome
no espinho
E o carinho que sangra
Traça o desejo na pele
E nele mesmo se perde...
Perfume doce que emana...

Eu leio teu nome
no espaço
E tudo que é labuta
e cansaço
Se agita e se afoga,
Se incendeia e cicatriza
Para renascer...em teu abraço...